O Heroísmo dos mártires cristãos e as misérias dos nossos tempos

O Heroísmo dos mártires cristãos e as misérias dos nossos tempos


Fonte: Antonio Socci – Tradução: "Dominus Est"

É PRECISO OLHAR para o rosto daqueles 21 jovens cristãos que, na Líbia, por não renegarem a Cristo sofreram o martírio, e que antes de serem degolados pelo ISIS, – segundo a leitura labial que foi feita, – pronunciaram continuamente o nome de Jesus. Como os antigos mártires.


O vídeo pode ser visto AQUI. Honestamente, não aconselho a ninguém a assisti-lo, mas espero que todos que o façam, que as imagens pavorosas lhes sirvam para fazer entender que não podemos mais ficar parados, que precisamos tirar, nem que seja na marra, a Igreja desta crise que parece interminável, deste 'catolicismo light' que tem medo de dizer a verdade e que eleva o respeito humano mais alto que a proclamação do Evangelho.


O Nome de Jesus

O bispo destes mártires disse: “Aquele Nome sussurrado no último instante foi como que o selo do seu martírio”. Os cristãos coptas são gente forte, temperada por quatorze séculos de perseguição islâmica. São herdeiros daquele Santo Atanásio de Alexandria que salvou a verdadeira fé católica da heresia ariana da maior parte dos bispos. São cristãos ousados, não uns imbecis como nós, católicos tíbios do Ocidente.

Eis aqui a verdadeira força: não é aquela dos que odeiam e matam os indefesos, até crianças, e crucifica quem tem uma fé diferente, violenta as mulheres, desfraldando a bandeira negra e escondendo o próprio rosto.

A verdadeira força é a dos indefesos que aceitam até mesmo o martírio para não renegarem a própria glória, isto é, a sua fé, para testemunharem a maravilha do “Belo Amor”, como diz uma antiga definição do Filho de Deus.

Um grande testemunho. Estes são os verdadeiros mártires: os cristãos. Não aqueles que massacram inocentes indefesos.

É esta a glória dos cristãos: seguir um Deus que salvou o mundo fazendo-se matar e não matando os outros, como fazem todos os déspotas, agitadores e ideólogos ou revolucionários deste mundo, que são aclamados nos livros de história.


Salvar aqueles cristãos

Este é o caso do Bispo de Tripoli, D. Martinelli, o mesmo Bispo que, em 2011, quase sozinho (apenas com o apoio de Bento XVI), gritava todos os dias contra a guerra, explicando que se abriria a “Caixa de Pandora”, exatamente o que aconteceu depois. É uma tragédia pela qual devemos agradecer aos prêmios Nobel da Paz, Obama e Sarkozy.

E hoje, na Itália e no exterior, aqueles que aclamaram a guerra se fazem de desentendidos. Mas, enquanto nestes dias a Líbia corre o risco de se tornar uma base do ISIS, o Bispo Martinelli decidiu permanecer ali, expondo-se à morte: “Vi tantas cabeças cortadas, – conta, – e pensei que eu também poderia acabar assim. E se Deus quiser que meu fim seja ter a cabeça cortada, assim será (…). Poder dar testemunho é uma coisa preciosa. Eu agradeço ao Senhor que me permite fazê-lo, também com o martírio. Não sei até onde vai dar este caminho. Se me levar à morte, isso quer dizer que Deus quis assim… E eu não saio daqui. Eu não tenho medo!”.

Ele não quer abandonar a sua pequena comunidade, constituída por cerca de trezentos trabalhadores filipinos, que estão compreensivelmente aterrorizados. O Bispo é o único italiano que ficou em Trípoli, com alguns religiosos e religiosas não italianos.


“Quando abriu o quinto Selo, vi debaixo do Altar as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da Terra? Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos”. (Ap 6, 9-11).

Fonte: http://www.ofielcatolico.com.br/2005/02/o-heroismo-dos-martires-cristaos-e-as.html